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Brasil comercializou mais de 612 mil consórcios de caminhões em 20 meses

Pesquisa faz raio-x do segmento e revela que consórcio de brutos cresce 215%

19/12/2022 08h07Atualizado há 2 meses
Por: Romulo Felippe

 

Após a realização da Fenatran 2022, o maior Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas da América Latina, em São Paulo, a assessoria econômica da Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios) realizou levantamento a partir de dados fornecidos pelas empresas associadas que atuam no setor de veículos pesados, no qual os transportes rodoviários de cargas estão inseridos, para avaliar o desempenho do mecanismo nesse segmento em período de 20 meses, compreendido de março de 2021 a outubro de 2022. 

 

A pesquisa teve como foco principal o segmento de caminhões, considerando principalmente a intermodalidade e a integração das suas diversas categorias: dos leves, que têm acesso às áreas urbanas, aos extrapesados, que cumprem longos percursos e rodam pelas estradas.

 

Com o cenário econômico brasileiro apresentando gradativa recuperação, depois de ter enfrentado a pandemia e ter vivenciado turbulências provocadas por influências internas, como custo dos combustíveis, e por internacionais, como as consequências da guerra no leste europeu, o consórcio no transporte rodoviário de cargas pode ser referenciado como um termômetro da economia, visto que 65% de tudo que é transportado no país se dá pela via rodoviária. 

 

A análise revelou ainda que, naqueles meses, as adesões aos consórcios demonstraram oscilações, porém com avanços constantes. Quando comparamos os números de março de 2021, com 7,92 mil novas cotas comercializadas, com os de outubro de 2022, quando foram vendidas 25,07 mil, temos um aumento de 216,5%. Para um total de 276,24 mil adesões no período analisado, a média geral ficou em 13,81 mil vendas de novas cotas.

 

Os picos de vendas ocorreram em setembro e outubro deste ano, quando atingiram 26,88 mil e 25,07 mil cotas, respectivamente.  

 

Um retrato que explica o comportamento deste setor está no balanço dos consórcios de veículos pesados de outubro último, onde o total de participantes ativos chegou a 612,80 mil, dos quais dois terços, 408,53 mil, objetivavam basicamente a aquisição de caminhões. O outro terço de consorciados, 204,27 mil, teve por objetivo a aquisição de máquinas e implementos agrícolas. 

 

Comparando a quantidade de 408,53 mil cotas ativas em outubro deste ano com as 263,41 mil cotas ativas em março de 2021 verificamos um avanço de 55,1% ao longo dos vinte meses.

 

Ainda na avaliação, considerando apenas os participantes dos consórcios de caminhões, temos a seguinte distribuição percentual dos participantes ativos no país: 48,9% na região Sudeste; 20,3% no Sul; 13,7% no Centro-Oeste; 13,3% no Nordeste; e 3,8% no Norte.

 

O transporte por rodovias predomina no Brasil e representa 65% do sistema logístico nacional. Neste aspecto, a intermodalidade é fundamental também no agronegócio, seja para o transporte de produtos para o consumo interno ou exportações. Os outros 35%, utilizados no escoamento da produção, se dividem entre ferroviário, hidroviário e aéreo, segundo o Plano Nacional de Logística.

 

De acordo com os dados obtidos na pesquisa, observa-se maior participação de pessoas físicas que jurídicas nos grupos. Com características como custo final baixo; prazos longos; aproveitamento de até 10% do crédito para despesas com documentação, tributos e seguro; parcelas mensais ajustadas aos orçamentos e, especialmente a preservação do poder de compra, com as correções dos créditos sem cobranças retroativas, o Sistema de Consórcios mostra-se ideal para consumidores e empresas.

 

Em outubro, as pessoas físicas ou autônomos representavam 64,3% dos consorciados ativos, enquanto as jurídicas chegaram a 35,3%. Houve ainda 0,4% relativo a outros, incluindo cooperativas e entidades setoriais. Nos três, a opção pela modalidade está calcada no planejamento para troca e renovação de veículos ou ampliação de frotas.

 

O levantamento apontou ainda que, dos consorciados contemplados, 56,6% tiveram por objetivo a ampliação de suas frotas, no caso das transportadoras, ou a aquisição de mais veículos no caso dos autônomos, enquanto 43,4% optaram pela renovação dos veículos.

 

Entre as categorias com maior utilização do crédito por ocasião da contemplação, estiveram os caminhões leves, com 28,3%; os médios, com 36,8%; os pesados, com 15,3%; e os extrapesados, com 19,6%.

 

Ainda sobre as contemplações, a maioria, 46,0%, decidiu pela aquisição do caminhão novo, e 19,9% pelo seminovo. Os demais, 34,1%, resolveram comprar outros tipos de veículos como implementos, caminhonetes, ônibus, tratores, automóveis, barcos, aviões e máquinas. Com sua característica de flexibilidade na utilização do crédito, dentro de cada segmento, o Sistema de Consórcios mais uma vez mostra-se ideal ao se ajustar ao momento e à situação de cada consorciado.

 

A exemplo dos cálculos mensais, foi possível comprovar que as potenciais participações das contemplações no mercado consumidor de caminhões atingiram 34,3% no período de janeiro a outubro deste ano, enquanto no mesmo do período de 2021 eram 26,3%. Portanto, ao registrar um crescimento de oito pontos percentuais, o mecanismo mostra cada vez mais que é uma alternativa inteligente e econômica para aquisição de veículos de carga no mercado interno.

 

“Apesar das turbulências enfrentadas, acreditamos que parcela expressiva do crescimento do transporte rodoviário de cargas, seja para renovação dos veículos seja para ampliação de frotas, em razão de planejamento e custos mais baixos, inclui o Sistema de Consórcios como alternativa de autofinanciamento. “Face às peculiaridades, que o diferencia das demais formas de aquisição disponíveis no mercado, o consórcio é uma excelente opção”, diz Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da Abac. 

 

Ao realizarem sua adesão à modalidade, empresários de transportes e autônomos, de acordo com suas áreas de operação, optaram por créditos variando de R$ 23,62 mil a R$ 1,04 milhão, ficando a média em R$ 368,15 mil. 

 

A taxa média de administração praticada foi de 0,092% ao mês para um prazo médio de 150 meses de duração dos grupos. Os reajustes periódicos, estabelecidos nos contratos, foram de 43,8% acompanhando a tabela do fabricante, 37,5% pelo IPCA, 12,5% pelo INPC e 6,2% pelo bem de referência, que pode ser o sugerido pela montadora, ou a média de dois ou mais preços colhidos em concessionárias, entre outros.

 

Para Rossi, “as perspectivas para o consórcio no mercado de caminhões são excelentes, visto que, de acordo com recente relatório macroeconômico e setorial da Quorum Brasil, o setor de transporte terrestre cresceu 14,7% em 2021 e 19,2% em nove meses de 2022”. 

 

Ao considerar a capacidade de carga dos veículos atrelados a cotas de consórcios, observou-se que 58,0% se destinam às entregas no varejo; 30,2% são para o transporte de madeiras; 9,8% ao agronegócio; 1,0% à carga líquida, como combustíveis, gás, sucos; e 1,0% a outros tipos como, por exemplo, alimentos.

 

Paralelamente, a Anfavea Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, ao projetar a comercialização de 178 mil unidades até dezembro, justifica que, por falta de chips e dificuldades logísticas, caminhões e ônibus deverão apenas repetir os números de 2021.  

 

As expectativas para o fechamento de 2022 seguem apoiadas especialmente no agronegócio, onde as safras continuam em alta, apesar dos problemas enfrentados com secas e chuvas desproporcionais nas diversas regiões do país; e com as oscilações do dólar, quando da aquisição de insumos; e com as exportações, em razão dos efeitos da guerra no mercado global. 

 

“Vale lembrar os esforços que têm sido feitos pela equipe econômica para controle da inflação, criação de empregos e redução de despesas”, complementa Rossi.

 

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